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10 de abr. de 2011

Rudolf Brazda, Gay de 98 anos, conta em livro o tempo em que viveu no campo de concentração nazista

Deu no Estadão

O último triângulo rosa

Homossexual, Rudolf Brazda, de 98 anos, conta em livro o tempo em que viveu no campo de concentração nazista de Buchenwald
ANDREI NETTO - ENVIADO ESPECIAL
MULHOUSE, FRANÇA - O silêncio se estendeu por um instante e o olhar se perdeu em um ponto futuro quando Rudolf Brazda foi questionado sobre sua sobrevivência ao nazismo. Então, como parece fazer quando falar lhe exige esforço extra, moveu a cabeça para trás em um movimento terno, repousando-a no ombro de seu amigo Jean-Luc Schwab. "Nós tentávamos sobreviver como podíamos e nos adaptar, sem deixar que aquela experiência nos destruísse", explicou, após um momento de introspecção. "De alguma forma aquela perseguição combinava com o nazismo."
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Brazda e biógrafo, Jean-Luc Schwab
Brazda, a quem a reportagem do Estado entrevistou na sexta-feira, em Mulhouse, na França, é tido como o último "triângulo rosa". A designação foi criada em alusão ao símbolo afixado nas roupas de 10 mil homossexuais deportados para campos de concentração durante a 2ª Guerra. Aos 98 anos, seu vigor físico se esvai, mas a força do espírito segue intacta para testemunhar a perseguição que sofreu na Alemanha nazista, com outros 100 mil gays fichados pela SS e pela Gestapo por crime de luxúria nos anos mais sombrios da história da Europa.
Um desses testemunhos foi imortalizado por Jean-Luc Schwab, autor de Triângulo Rosa - Um Homossexual no Campo de Concentração Nazista, lançado no Brasil essa semana pela Mescla Editorial. Baseado em dezenas de horas de depoimentos, em entrevistas com personagens que passaram por sua vida e documentos oficiais sobre o nazismo dos arquivos alemães e checos, o livro mescla apuração jornalística à pesquisa histórica para reconstituir a vida de último gay sobrevivente. E transforma-se num raro documento sobre a vertente menos estudada dos crimes do nazismo: a obsessiva perseguição sexual exercida contra estrangeiros e alemães por Adolf Hitler.
Não que as leis que estabeleciam penas de prisão para homossexuais tenham sido criadas pelo führer e seus cúmplices. A exemplo do sentimento de superioridade da raça ariana, a recriminação da homossexualidade era latente na moral alemã - e não apenas nela - no final do século 19, época da unificação do país. A rejeição à diferença era expressa, entre outros, no célebre artigo 175 do código penal do 2º Reich, que estabelecia "a luxúria contra o que é natural, realizada entre pessoas do sexo masculino ou entre homem e animal", como crime passível de prisão e de perda dos direitos civis.
Porém, até a República de Weimar, no entre guerras, o discurso contra a homossexualidade em boa parte dos Estados da federação alemã não passava de retórica destinada a constranger e humilhar publicamente os que expunham suas preferências. É a partir de 1933, com a ascensão do nacional-socialismo ao poder, que a perseguição se amplifica. Hitler muda o discurso - antes ambíguo, alternando entre o preconceito e o convívio amistoso - e faz do combate aos gays parte da ideologia do sistema. "Os judeus eram para Hitler a ameaça à pureza da raça ariana. Os homossexuais, a suposta ameaça à perpetuação da raça", explica Schwab.
Memorial aos gays mortos. Sintonizado com o pensamento de sua época, Brazda considerava heterossexuais como "os normais", e a homossexualidade como uma espécie de deficiência, um defeito que não necessariamente deveria ser escondido. Ser gay, para ele, era um complexo exercício de contradições entre algum grau de vergonha diante do olhar da sociedade e a necessidade de assumir sua diferença sem complexos. "O homossexualismo faz parte da vida porque faz parte da natureza. É a natureza que nos marca", entende ele, hoje. "Ou não se aceita, ou se aceita. Eu me aceitei. É dessa forma que fui feliz."
O testemunho de Brazda sobre os campos de concentração só se tornou público em 2008, quando o governo alemão inaugurou em Berlim um memorial aos gays mortos durante o nazismo, o Homosexuellen-Denkmal. Até então, imaginava-se que não havia mais homossexuais vivos que tivessem sido vítimas do nacional-socialismo. Seu nome não constava da lista de homenageados, cujo expoente era Pierre Seel, tido até então como a última testemunha. Aos 95 anos, Brazda cedeu aos apelos de uma sobrinha para se revelar como sobrevivente dos campos. "Sempre pensei que minha experiência não interessasse a ninguém, em especial após a guerra, quando todos tinham tantos problemas a resolver", justifica.
Pois interessava. Desde então, um segundo livro vem sendo preparado na Europa tendo como centro de interesse seu período no campo de Buchenwald, no leste da Alemanha. Hoje convencido da importância de seu testemunho, Brazda, mesmo enfraquecido pela idade avançada, não se furta mais a falar sobre sua vida.
Nascido em 23 de junho de 1913 no vilarejo alemão de Brossen, Brazda era o oitavo filho de um casal originário do vizinho Império Austro-Húngaro. Mesmo que sua língua e cultura fossem germânicas, do ponto de vista legal era checo - a confusão de origens gerou nele desapego às nacionalidades, a ponto de ficar 15 anos apátrida após a 2ª Guerra. Filho de mineiros, deixou a escola aos 14 anos para trabalhar, sonhando tornar-se comerciário. Acabou aprendiz de telhador. Ao final da adolescência, entendia-se "às maravilhas" com as mulheres, mas percebeu logo que não era por elas que se sentia fisicamente atraído.
Descobriu então a homossexualidade, da qual tinha imagem negativa por associá-la à miséria e à prostituição em sua região, a Saxônia. Carismático e bom dançarino, tornou-se o par preferido das moças da cidade, de quem era fiel conselheiro. Órfão de pai desde os 8 anos e xodó de uma família de operários comunistas, Brazda encontrou em casa um ambiente de tolerância em relação a sua orientação sexual. Aos 20, cercado de amigas e amigos, expunha sua sexualidade sem constrangimentos. "Eu tinha sete irmãos e irmãs, era o caçula e todos gostavam muito de mim. Além disso, sempre recebia apenas meninos em casa. Acredito que eles em algum momento entenderam a minha homossexualidade e a aceitaram bem."
A aceitação era tal que sua família chegou a organizar um "almoço de núpcias" quando decidira "oficializar" sua relação com Werner, seu primeiro amor. Com ele, passou a viver em uma pensão dividindo o mesmo quarto, sem oposição da proprietária da hospedaria, fiel testemunha de Jeová - outro sinal da liberalidade da cultura local. "Werner e eu tínhamos uma vida de casal, com um lar. Vivíamos abertamente", assegura.
A radicalização teve início em 1933, com a ascensão de Hitler ao poder. Até então, Berlim era centro da vida homossexual na Europa. Brazda costumava divertir-se chamando em público seus amigos por nomes ou apelidos femininos. Werner era "Uschi", Albert, "gorda Berta". Levava corações de chocolate ao namorado em seu ambiente de trabalho e frequentava bares gays, como o Café New York, em Leipzig, sem ser perturbado. A repressão demoraria a chegar ao interior, até contaminá-lo de vez por uma peste: a denúncia. "Quando aconteceu, a mudança entre a liberdade e a repressão acabou não sendo muito surpreendente", conta. "Os alemães estavam obcecados pela ideia da pureza da raça ariana. E eu sempre achei uma ideia absolutamente estúpida e inaceitável."
Em 1936, o cenário de tolerância havia se invertido. Ao mesmo tempo, a guerra se preparava. Brazda havia sido dispensado do serviço militar checo, por não falar a língua. Já Werner não teria a mesma chance, sendo convocado para a Luftwaffe, a Força Aérea alemã. Ambos jamais voltariam a se reencontrar. "Eu era feliz com Werner, com quem vivia como marido e mulher. Mas, nessa época, a separação era o caminho natural", recorda. "Claro que foi difícil, mas encarávamos a vida como ela vinha. E o regime não aceitava relações como a nossa."
‘Crime’ e confissão. A caça às bruxas o atingiria diretamente um ano mais tarde. Em uma manhã de abril de 1937, Brazda foi acordado por uma revista policial em seu quarto. Três horas depois, assinaria um depoimento pleno de contradições sobre sua vida sexual. No dia seguinte, enfrentaria a Justiça sem advogado ou testemunhas a seu favor. Encurralado pela multiplicação de provas contra si, reconheceria seu "crime" pouco mais tarde. "Sim, pratiquei masturbação mútua com Werner, e isso aconteceu desde 1934/1935. Percebi rapidamente que, assim como eu, ele amava homens", reconheceu, em documento assinado por ele e localizado por Schwab na Alemanha. "Eu o amava verdadeiramente e fui fiel a ele, não procurando contato sexual com outros homens." O apelo emocional não seria levado em conta e a confissão lhe renderia uma condenação por crime de luxúria em um processo aberto e encerrado em menos de 40 dias.
Os seis meses que se seguiriam seriam seus primeiros de prisão. A partir de então, Brazda e os amigos, todos, viveriam sufocados pelo aparato do Estado totalitário, que prendia, expulsava, suspendia direitos civis, humilhava e torturava, física e psicologicamente. Nem o exílio na então Checoslováquia evitaria a perseguição, já que, sem resistência ocidental, a Alemanha de Hitler ocuparia os sudetos checos e, então, todo o país.
Uma nova prisão em 1941, por reincidência, selaria seu destino. Se os novos 14 meses na prisão de Karlsbad lhe permitiram viver com alguma dignidade e ainda fascinar os companheiros de cárcere - "eu era conhecido e tinha sorte porque era jovem e bonito, todos os outros prisioneiros corriam atrás de mim" -, a sequência seria mais dramática. Ela começaria em 8 de agosto de 1942, quando foi transferido para Buchenwald com 50 outros presos, 4 deles por serem gays.
Assim, Brazda descobriu o horror em um campo de concentração, e nele as sevícias, a fome, a miséria e as experiências científicas em cobaias humanas - entre as quais a "inversão de polaridade sexual", realizada pelo médico dinamarquês Carl Vaernet (1893-1965 - ministrava injeções de hormônios e de diferentes substâncias na tentativa de mudar o comportamento dos homossexuais). "Eu sabia da existência dos campos e sabia que os judeus eram enviados para Auschwitz Birkenau a fim de serem exterminados. Mas não acreditava que os homossexuais também pudessem ser mandados para o extermínio", diz, agora consciente do valor histórico de seu testemunho. "Eu sabia que o homossexualismo era reprimido pelos nazistas. Mas jamais imaginei que eu mesmo fosse vítima de um crime contra a humanidade."

7 de abr. de 2011

Cientistas encontram provável gay pré-histórico

Deu no UOL

Cientistas acham provável homem pré-histórico homossexual

DA BBC BRASIL
Cientistas tchecos escavaram o que acreditam ser o esqueleto de um homem pré-histórico homossexual ou transexual que viveu entre 4.500 e 5.000 anos atrás.
A equipe de pesquisadores da Sociedade Arqueológica Tcheca constatou que os restos --retirados de um sítio arqueológico neolítico em Praga-- indicam que o indivíduo, de sexo masculino, foi enterrado segundo ritos normalmente destinados às mulheres.
A arqueóloga Katerina Semradova disse à BBC Brasil que o enterro "atípico" indica que o indivíduo encontrado fazia parte do "terceiro sexo", provavelmente homossexual ou transexual.
"Trabalhamos com duas hipóteses. A de que o indivíduo poderia ter sido um xamã ou alguém do 'terceiro sexo'. Como o conjunto de objetos encontrados enterrados ao redor do esqueleto não corroboravam a hipótese de que fosse um xamã, é mais provável que a segunda explicação seja a correta", disse Semradova.
As escavações foram abertas ao público nesta quinta-feira e a visitação tem sido intensa.
Sociedade Arqueológica Tcheca
Indivíduo do sexo masculino foi enterrado segundo ritos normalmente destinados às mulheres
Indivíduo do sexo masculino foi enterrado segundo ritos normalmente destinados às mulheres
Os restos são de um membro da cultura da cerâmica cordada, que viveu no norte da Europa na idade da Pedra, entre 2.500 a.C. e 2.900 a.C.
Neste tipo de cultura, os homens normalmente são enterrados sobre o seu lado direito, com a cabeça virada para o oeste, juntamente com ferramentas, armas, comida e bebidas.
As mulheres, normalmente sobre o seu lado esquerdo, viradas para o leste e rodeada de jóias e objetos de uso doméstico.
O esqueleto foi enterrado sobre o seu lado esquerdo, com a cabeça apontando para o oeste e cercado de objetos de uso doméstico, como vasos.
"A partir de conhecimentos históricos e etnológicos, sabemos que os povos neste período levavam muito a sério os rituais funerários, portanto é improvável que esta posição fosse um erro", disse a coordenadora da pesquisa, Kamila Remisova Vesinova.
"É mais provável que ele tenha tido uma orientação sexual diferente."
 
Nhai, gentem… Bee Jurássicah!
peludo
Mas aquee, prescisah isso tudo pra ashar? Um monte de mona das cavernas dando pinta em Saunas e Boites como ALOKA, por aeh…  E soh agorah os archeólogos asham, rs?
prehistoria

13 de jan. de 2011

Queimaram nossas cartas, anularam nossos nomes, censuraram nossos livros, declararam nosso amor como inqualificável

Primeiro museu gay dos EUA abre as portas em San Francisco


Deu no Uol

Espaço do GLBT History Museum, em San Francisco, nos EUA

Espaço do GLBT History Museum, em San Francisco, nos EUA

Washington, 12 jan (EFE) - O primeiro museu gay dos Estados Unidos e o segundo do mundo abrirá nesta quinta-feira as portas em San Francisco, cidade reconhecida mundialmente pela liberação homossexual, para narrar, por escrito e visualmente, uma luta de décadas pelo respeito à orientação sexual.

Uma área com 150 metros quadrados no bairro de Castro será a sede do GLBT History Museum, em homenagem aos gays, lésbicas, bissexuais e transexuais que, junto ao Museu Gay de Berlim (Alemanha), será o único do mundo dedicado a contar a história dos homossexuais e os obstáculos que tiveram de enfrentar.
"Queimaram nossas cartas, anularam nossos nomes, censuraram nossos livros, declararam nosso amor como inqualificável", reza, impressa em uma das paredes do museu, uma frase tirada de um panfleto do projeto da história gay de San Francisco em 1979.

Os óculos de sol rosa de Harvey Milk (A Voz da Igualdade), que nos anos 70 se transformaram no primeiro político abertamente gay da Califórnia, manuscritos de ativistas e brinquedos sexuais estão entre os atrativos do museu, que a Sociedade Histórica GLBT de San Francisco levou uma década planejando abrir.

"Colocamos o melhor de nós para criar um museu rico, diversificado e surpreendente como a própria comunidade GLBT. Sejam gays, lésbicas, bissexuais, transexuais e heterossexuais, é certo que os visitantes vão se comover e aprender", relatou em comunicado Paul Boneberg, diretor da sociedade histórica.

Por enquanto, o museu conta com duas exposições, "Nosso Extenso Passado Gay" e outra que reúne a coleção da sociedade histórica GLBT de San Francisco.




Amei a idéia! Os gays, historicamente, sofrem tanto preconceito que não servem nem para  estatística. É justo resgatar  e preservar a histórias!

19 de set. de 2010

A História dos Tabus Sexuais

Tchipo, faz a culta, fia! Lê o babadão daí de baixo! Sente só o climão na Grécia antiga!
A gente costuma falar da sexualidade e vivênciá-la como se esta fosse algo que decorresse unicamente da natureza imutável das coisas. Mas, se olharmos para história, vamos perceber que em diferentes épocas, lugares e contextos culturais  e econômicos, o comportamento sexual, e por conseguinte aquilo que era considerado “normal”,  “natural”, sempre variou. 
Na Folha de São Paulo da semana passada, comentando um livro sobre a história da sexualidade, lançado recentemente, saiu esse “resumão” da história dos tabus sexuais, acompanhado do texto que reproduzo abaixo.
Clique na imagem  abaixo para aumentar.
História do sexo
Tabu da virgindade feminina veio com a agricultura, diz cientista
Possibilidade de juntar patrimônio fez com que pais quisessem gerir vida sexual das filhas Casamentos viraram, há 10 mil anos, moeda de troca entre famílias; urbanização recente teve efeito contrário
RICARDO MIOTO
SÃO PAULO

Foi há 10 mil anos que o hímen se tornou importante. Essa é a conclusão de Peter Stearns, grande especialista em história sexual da Universidade George Mason (EUA).
Seu livro "História da Sexualidade", recém-lançado no Brasil pela editora Contexto, compara a vida típica de tribos nômades que vivem de caça e coleta com a das primeiras sociedades humanas pós-agricultura.
É inevitável, diz, perguntar: por que, de repente, a sexualidade feminina passou a ser vigiada e elas muitas vezes perderam até a chance de escolher seus parceiros?
Era diferente entre quem não plantava. "Grupos caçadores-coletores tinham fascínio pela sexualidade. A bissexualidade era comum."
Houve a mudança porque, com a possibilidade de acumular patrimônio (caçadores não juntam excedente nem terras), filhas viraram moeda de troca entre famílias. Surgiu a herança e o dote.
Com a residência fixa e as famílias agrupadas, ficou fácil, especialmente para pais, supervisionar os outros.
Era importante zelar para que as filhas não engravidassem de gente indesejada -e para que os filhos também não engravidassem qualquer uma, mas sem testes de DNA esse problema era menor.

AMOR SÉRIO
Ainda que restritivas, civilizações antigas tratavam de sexo com naturalidade. Um mito egípcio dizia que o deus Atum se masturbava na água e acabou ejaculando o Nilo.
Isso prosseguiu com as sociedades clássicas. A Grécia foi muito tolerante com homossexuais. Rapazes eram "tutorados" por homens mais velhos na sexualidade.
"Platão disse ser mais provável que o amor sério surgisse entre homens, pois podia envolver uma mistura de sexo e interessante conversação intelectual", diz Stearns.
Isso mostra que mulheres ainda eram reprimidas -ainda que os romanos valorizassem seu prazer, por exemplo.
Com a ascensão do cristianismo, porém, a maneira de lidar com o sexo endureceu. Na Idade Média, as cidades diminuem -e, em geral, quanto mais urbano um povo, mais liberal sexualmente.
Se religiões clássicas contavam aventuras sexuais dos deuses, Jesus nasceu de uma virgem. O sexo se aproxima do pecado. A homossexualidade cai na clandestinidade.
CIDADES PROMÍSCUAS
Com a Idade Média acabando, aos poucos as cidades voltaram a crescer. A industrialização, a partir do século 18, acelerou o processo.
Com o trabalho urbano, herdar terras deixa de ser vital. "Se o pai não podia assegurar herança, havia menos motivos para que os filhos aceitassem plenamente sua autoridade", diz Stearns. O anonimato das cidade grandes também oferece menor controle sobre a vida alheia.
Países da Europa, EUA e Brasil só viraram majoritariamente urbanos no século 20. O sexo acompanhou e dominou a cultura, seja em Hollywood ou nas revistas, e a virgindade perdeu espaço.
A homossexualidade passou a ser vista com mais naturalidade, e países como a Espanha legalizaram o casamento gay recentemente.
Com métodos anticoncepcionais eficientes, o sexo pelo prazer disparou. As mulheres no mercado de trabalho se tornam menos dependentes das ordens paternas.
É um processo que ainda está acontecendo. Ainda hoje, por exemplo, metade do mundo vive em áreas rurais.
"Não sabemos se o mundo todo vai se industrializar. É difícil dizer que o padrão moderno de sexualidade triunfará, apesar de ser tentador dizer que no futuro teremos ainda mais aceitação do sexo pelo prazer", diz Stearns.

Regiões islâmicas eram bem mais tolerantes do que Ocidente
É papel do homem fazer a mulher chegar primeiro ao orgasmo. Elas, porém, devem raspar pelos pubianos, para que fiquem atraentes. Homossexuais são aceitos.
Trata-se de uma descrição de uma sociedade bastante liberal, e pode surpreender saber que estamos falando das regiões islâmicas nos séculos após a difusão da religião, por volta do ano 600.
"O Oriente Médio era uma sociedade mais urbanizada e, em muitos sentidos, mais sofisticada que a Europa", diz Stearns. Era, também, mais liberal com o sexo -vide "As mil e uma noites", com histórias eróticas.
Apesar da virgindade feminina ser fortemente valorizada, um livro islâmico de 984 já reclamava que "hoje, quando um homem ama uma mulher, não tem outra coisa em mente a não ser erguer as pernas dela".
Para Stearns, isso pode ter sido revertido a partir do século 19, em parte, como reação à liberalização ocidental.
Mesmo falando mais de sexo, mulheres sempre foram bastante reprimidas no Islã. O adultério é um dos principais crimes- mas eles podem se casar com várias.
"A mudança nas condições da mulher no ocidente provocou mais ênfase, entre os islâmicos, no lado restritivo e punitivo", disse Stearns à Folha. "Pegas de surpresa nessa transição, muitas regiões adotaram uma postura de desconfiança." Ganharam força, então, a burca, o Talibã e apedrejamentos.
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